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sábado, outubro 18, 2008

Direto da seção Trechos De Um Livro Quase Esquecido:

"(...)

Eu tinha certeza que deveria ter anotado todos aqueles pensamentos. Eu tinha certeza que acabaria esquecendo todos eles e ficando, mais uma vez, sem livro. O pior não é ficar sem livro. É ficar sem livro, sem trabalho, sem dinheiro e... sem Allan. É fazer de tudo para não ter que passar pela Barra, porque ia querer vê-lo e beijá-lo e passear na orla de mãos dadas com ele e ouvi-lo cantar Paixão no meu ouvido. Porque ia querer ouvir suas histórias sem-graça e ficar sem-graça com seus elogios sem-hora-marcada e dormir em seus braços. Porque ia querer me sentir segura ao lado dele ou ao lado de quem quer que fosse e sempre encontrá-lo lá, me esperando com sua poesia. Porque ia querer me sentir segura. E eu não sou mais segura. Eu nem sempre fui assim, sabia? Na verdade, nunca fui assim. Eu juro que era independente e decidida. A representante mundial da coragem e intrepidez: Júlia Medeiros. Há, há. É muito fácil ser tudo isso, quando você não precisa ser nada disso. Quando, basta que se comporte direitinho e permaneça dentro do ninho, a espera da caça, trazida pelos seus pais, ao final do dia.
Quem foi que inventou essa história de revolução feminina? Aposto que foi uma mulher muito feia, gorda, espinhenta e mal amada. O que havia de errado em sermos protegidas e sustentadas pelos pais e depois pelo marido? O que havia de errado em passarmos o dia entre salões de beleza, academias e restaurantes japoneses?
Bem, talvez eu devesse pegar leve e amenizar isso.
O que há de errado em dividirmos tarefas com os homens? Enquanto nos esforçamos para nos mantermos lindas e desejáveis, eles se esforçam para gerar dinheiro para nos manterem lindas e desejáveis. Muito justo.
Acho que ainda tô pegando pesado.
Como disse, eu não era assim. Eu não precisava ser assim e nem sequer pensava nessas coisas, porque eu tinha meu pai e tinha a minha mãe e também tinha o Allan, que faziam esta tarefa por mim. Agora eu tenho que pensar sozinha e pensar rápido. Não só pensar, mas organizar meus pensamentos, mais uma vez, mentalmente.
(Eu até que anotaria tudo isso, se não estivesse dentro de um ônibus, sem papel, sem caneta e sem a menor vontade e coragem de abordar este velho caolho e portador de um sorriso permanente, pra não dizer estranho, no canto esquerdo da boca.)

(...)"

9 comentários:

Newton Flamarion disse...

nossa que legal, dei uma lida, e achei muito legal no final que eu adorei sobre o caolho, papel caneta é essencial nessas horas rs values

paticabral disse...

oi lindaaaa, já tava com saudade dos posts, lindo texto, independencia é fodaaaaa, sem comentários, amei o texto, agora falta o livro, beijocas no core

Ms. Molly Bloom disse...
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valacomum disse...

Nossa, gostei do texto, fiquei com vontade de ler mais, saber até onde vão os pensamentos dessa menina, as suas contradições... Você escreve muito bem, parabéns!

Dido Carvalho disse...

Show de bola...

O texto é muito bom mesmo. Parabéns!

E o seu blog tá lindo!!!

Chimia Man disse...

Interessante!

kilder disse...

muito bom o seu texto, bem sensivel...toca a alma! bom fds.

Carioca disse...

achei seu post demais !!
vou passar a acompanhar seu blog!

--
http://raciocinioquebrado.blogspot.com/

camila disse...

pow pra ser sincera, eu apoio mt esse lance de feminismo, de sermos independentes, donas do nosso proprio nariz, e do nosso proprio dinheiro, ganho com o nosso proprio trabalho...

maaaaaaaassssss...

nem me imagino saindo de casa, deixando a mamãe, eo papai, axo q nunca vou fazer isso, mas ñ é só pelo fato de ser sustentada por eles, mas pq eu kero viver pra sempre com eles!!

bjÛ