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sábado, junho 26, 2010

Uma Certa Crítica Que Me Fez Chorar

Conheci-o numa festa e já começamos a trocar emails. Um dia posto todos aqui. São dignos de grande apreciação (pelo menos os que ele escreveu), grande diversão e, não menos, de grande emoção. Mas este que posto aqui, hoje, foi mais que especial, porque não foi pra mim, diretamente. Ele escreveu pra ela, pra Júlia Medeiros, minha tão íntima e querida amiga, criatura, alter-ego. A protagonista de MATRIOSKA, meu ainda engavetado livro. Bom, nem tão engavetado assim, já que gerou tal "crítica". Digo "crítica", porque ele é um Crítico, mas que fez essa cartinha. Mas que cartinha fofa foi essa? Chorei mesmo quando li e aposto que Júlia choraria com igual intensidade. Talvez mais, já que essa menina, gente... Que mar de emoções ela é! E chega de pormenores, de entremeios, de enrolação! Aí vai o email que recebi de Lionel Fischer:

Cara Júlia Medeiros:

Estivéssemos em um outro tempo, diria que tua vida "me caiu nas mãos". Mas como não estamos em um outro tempo, mas no tempo presente (o Tempo, sempre ele), tua vida surgiu na tela do meu computador. E por ela senti especial encanto.

Não sendo crítico literário, e assim, pouco íntimo de rebuscadas palavras e/ou pensamentos profundos e refinados, gostaria apenas que soubesse que teria tido enorme prazer em conhecê-la, nem que fosse por um breve instante na casa, digamos, de um amigo comum, e tendo que dividí-la com pessoas que você conhece e eu não.

Porque você, Júlia Medeiros, é uma espécie de síntese de todas as mulheres interessantes que conheço - inclusive ex-mulheres, ex-namoradas e filhas. E aí pouco importa a idade que tenham: quando são interessantes, as mulheres são incertas, indecisas, contraditórias, negam no final de uma linha o que escreveram em seu início. E com igual veemência. Mas é sob esta aparente fragilidade que se oculta sua fortaleza.

E os homens que apreciam mulheres sempre decididas e fálicas, que jamais se arrependem do que dizem ou fazem, que desconhecem o poder transformador da dúvida etc., das duas uma: ou não comeram a própria mãe (ainda que em fantasia, naturalmente) e portanto arrastarão seu Édipo pelo resto de suas vidas, ou pertencem àquele tipo que reclama do oceano pela inconstância de suas marés.

Ora, convenhamos: o fascínio do oceano é justamente sua imprevisibilidade, o mesmo ocorrendo com a mulher.

Portanto, e já com o temor de ter me estendido demasiadamente, quero te dizer, para terminar, que deves fazer o possível e o impossível para publicar teu livro, que tenho absoluta certeza que
encontrará uma vasta legião de cúmplices - de ambos os sexos.

Atenciosamente,

Lionel Fischer (o único crítico teatral carioca apaixonado pela incerteza)

5 comentários:

Lally disse...

Um orgulho a mais pra mim, como sua fã, só digo isso! Caraca, isso só da mais vontade de ler o seu livro Maíra! Baseado nesse 'depoimento', sei que vou poder me encaixar nesses 'cúmplices' ali. hehe Lindo o que ele escreveu, não era pra menos chorar né. Espero que saia logo esse livro, agora mais do que nunca quero ele. Mais uma vez: tu é maravilhosamente foda! te amo muito

Vanessa disse...

Critica maravilhosa, e com certeza o livro tb deve ser. Saiba que estamos na torcida pelo lançamento do livro. E somos todos cúmplices na sanidade, mas mais ainda na loucura. Bjos

Cruela Veneno da Silva disse...

já li essa carta umas mil vezes...

A D O R O

quero ser a julia medeiros

Lelita disse...

Devido propagandas, resolvi fuçar aqui... Me daparei com esse texto lindo, se antes de ser lançado, o que, pelo menos teoricamente, ainda está bruto consegue provocar tamanha satisfação, admiração ou seja lá como queira chamar, imagina quando estiver totalmente lapidado, reluzindo nas mãos dos leitores. Parabéns Maíra, sucesso sempre na sua vida é o que te desejo. Lelita

Fanzine Episódio Cultural disse...

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